É uma dor que aflige a população portuguesa, quase que a doença milenar que afectou o nosso país. Podemos adivinhar que falo dos transportes públicos, mais propriamente dos serviços de autocarro.
O sentir do sovaco húmido e de odor agradável a raspar nas nossas angélicas caras. O contínuo tagarelar histérico de uma sociedade hipocondríaca, a história há muito escondida acerca da filha da tia do Sr. Arménio, que se casou com um doutor (a filha, não a tia e muito menos o Sr. Arménio), doutor esse que se revelou um crápula ao ser encontrado trajado que nem uma menina a fazer o amor com terceiros.
Todos nós conhecemos a sensação. Entrar num autocarro, temendo ser abordado por todo um mundo de histórias desinteressantes acerca de problemas da ciática ou da Primavera que chegou mais cedo este ano. Mas não me interpretem mal, nada tenho contra pessoas antigas. Apenas contra pessoas antigas que se vitimam.
Outra coisa que tenho vindo a reparar ao longo do tempo, é a alegria com que as ditas pessoas exibem o seu mais novo ferimento, enquanto que um esgar de inveja se apossa da face dos seus interlocutores, pertencentes à mesma categoria. A felicidade com que anunciam uma consulta no médico, o sorriso que exibem ao dizer:"Eu já sofri muito, menina!" . São como que um indicador de prestígio na terceira idade, o sofrimento e as mazelas. Peço de novo a vossa indulgência, não pretendo de qualquer forma diminuir o sofrimento de tais senhoras, apenas constatar factos.
Imensas conversas podem ser escutadas em tais locais, conversas que variam entre os mais diversos temas, desde a idade da perda de virgindade (verídico, conversa efectuada por três pessoas antigas) até ao nabo que desempenhará uma função activa na refeição dessa noite.
Assim, concluo este texto idiota sem quaisquer funções sociais activas manifestando o meu desagrado perante autocarros em excesso de velocidade. É doentio. Temos que ajudar a travar este flagelo. Tenho dito. Cocó.
Nota de Rodapé:
3 comentários:
meu deus!
que surreal pessoal
q moca, uma cena que me desagrada nos autocarros é o efeito crépe de quando um sujeito X desdobra o lenço e escarra para o mesmo dobrando-o, por fim, acabando por obter um efeito com o ranho no lenço semelhante ao do chocolate no crépe.
é do pior!
Grizei-me Santas xD
Eu continuo a achar que falta aí um dado importante. Falta mencionar todas aquelas pessoas que mostram orgulhosamente cicatrizes de uma das 30183047502718 operações às 1037849267194649 doenças. Acho que é uma falha.
Enviar um comentário